Posted by
Francy´s Oliva
Marcadores:
literatura,
matéria,
São Paulo
A primeira matéria será sobre a mulher, mas não a mulher em si, será A mulher. Está me entendendo? Por que falar em mulher é um risco. É preciso desatino. É preciso marcar a ferro. É preciso andar no trilho, equilibrando-se. É preciso enlouquecer. Dias de fúrias. Dias de desconfortos. É preciso amanhecer. Fechar janelas. Abrir portas.
Enfim, temos uma certeza senhoras e senhores. A primeira matéria será sobre A mulher…
Era azul como a sua mão à hora da morte. Era a sua mão crispada, era o último orgasmo. Era a sua picha parada como um pássaro por cair, parada para a receber, a morte, a amante (ou não)
...Já não sei falar. Com quem?
...Nunca encontrei uma alma gémea. Ninguém foi um sonho. Deixaram-me com os sonhos abertos, com a minha ferida central aberta, com a minha ruína. Lamento; tenho esse direito. Assim mesmo, desprezo quem não se interessa por mim. O meu único desejo foi
...Não o direi. Até eu, sobretudo eu, me atraiçoo. Calei a minha alma como um bebé. Já não sei falar. Já não posso falar. Desperdicei o que não me deram, tudo o que tinha. E novamente a morte. Ameaça-me, é o meu único horizonte. Ninguém se parece com o meu sonho. Senti amor e maltrataram-no, sim, a mim que nunca quis. O amor mais profundo desaparecerá para sempre. Que poderemos nós amar a não ser uma sombra? Morreram já os sonhos sagrados da infância e também a natureza, a que me amava
Alejandra Pizarnik, Abril, 1972
(Versão de HMBF)
3 pessoas falando...:
Um belo post, Francy's, despoletador de discussões sobre matéria ainda e sempre com um toque de mistério: a mulher.
Beijo :)
Tema bem difícil...
Encantador...
Misterioso.
meus sonhos de infancia morreram mas sempre encontro outros...
beijo!
Postar um comentário